sábado, 18 de setembro de 2010

Um copo Dàgua

Postado em: Brasil, Direito, Política, Vasto mundo.

Um copo d’água
Sep 1st, 2010 by Fabiano Camilo. 2 comentários
Uma madrugada, 3h ou 4h, entre 1998 e 2001. Volto para casa. Sob o céu vermelho, uma única pessoa na rua, um homem que caminha pela calçada, em sentido contrário ao meu, nem devagar nem rápido. Sobre as costas um cobertor. Um morador de rua, imagino. Estaciono em frente ao portão, saio do carro. Ele está perto. Pelo ritmo do andar, pelo olhar projetado em mim, suspeito que pretenda falar comigo. Espero. Ele se aproxima, para. Os trajes retêm minha atenção somente por um fugaz instante; com efeito, um morador de rua. Meus olhos concentram-se nele. Bonito! Muito bonito! Entre 25 e 30 anos, alto, magro, um pouco forte, pele morena, cabelos curtos cacheados, barba. Sua beleza me aturde. Sorri, pede-me um copo d’água. Bonito, simpático. Quando sorri, torna-se mais atraente ainda. Sorrindo, atordoa-me por inteiro. Minhas palavras, meus gestos contrastam com os seus, tranquilos, confiantes. Sim, digo que lhe darei um copo d’água. No meio do caminho em direção ao portão, paro. Há uma garrafa de água mineral no banco do passageiro, da qual bebi apenas um pequeno gole. A garrafa tem mais água do que um copo pode ter. Se ele recusar a garrafa, trago-lhe um copo, decido. Volto, pergunto-lhe se se importaria de beber a água da garrafa, da qual eu tomara um gole. Não, responde sorrindo. Entrego-lhe a garrafa. Sorrindo, ele me agradece e se despede. Permaneço parado, vendo-o atravessar a rua, enquanto bebe a água, e desaparecer ao contornar um edifício. Sozinho, minha vontade era atravessar a rua correndo e ir atrás dele.

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Hoje à tarde, enquanto lia, sentado no sofá, vi um homem em frente ao portão, prestes a tocar a campainha. Ele me viu e, como percebeu que eu o vira, acenou-me. Pelo portão, estendeu-me uma garrafa d’água vazia e me pediu que a enchesse. Ao voltar, lembrei-me da história que narrei. Por onde aquele homem andará?, inutilmente me perguntei, como sempre. Espero que esteja bem, na rua ou fora dela. Talvez ele leia este escrevinhamento e se reconheça como um dos personagens da história. Em minha memória, continuará jovem e belo.

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domingo, 5 de setembro de 2010

SETE SEMANAS

Sete semanas sofrendo
Silencioso soluçando
Sem seu sereno sorriso
Solitário suspirando
Sem saber se sei sorrir
Só saudades sei sentir
Ser só seu sigo sonhando

Sempre sério silencioso
Sozinho só sei sonhar
Sem saída suspirando
Sem solidão sufocar
Só sua sombra seguindo
Sufocado sucumbindo
Sofrendo sem suportar

Sete semanas são séculos
Se sofrimentos somente
Sem sorte sofre sangrando
Sofrendo sim seriamente
Suspiros soluços suplicantes
Sobre sério sofrimento semelhante
Só se sabe se seu ser sente